Meu chinelo velho...

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Ou meu velho chinelo. Não sei como chamá-lo, mas sei sem sombra de dúvidas de que já estou saudades dele. Ainda não o troquei por outro novo, que está ali, comprado há dias, esperando convocação. Quando o comprei, a moça perguntou o número e eu fiquei na dúvida, e nesta, trouxe o intermediário.

Mas não posso esquecer e nem me livrar do velho. Mas hoje eu ainda faço isto, porque sinto que afinal de contas, preciso entregar meus passos a novas bases, nova cor, novos caminhos. O novo é da cor café, e o velho preto. Ou... Quase preto, porque depois de cinco anos de uso, começou até a ficar cinzento. Meu preto velho no pé esquerdo, já perdeu o calcanhar, quebrou-se, coitado. E o do pé direito também está no mesmo caminho, e por isso me parece que estou com um pé e meio de chinelos. Mas mesmo assim, é o meu primeiro bom dia e meu último boa noite. Tira-me da cama e me leva para deitar. Tenho impressão às vezes, de que até conselheiro é. Pelo menos, protetor tem sido até agora, porque caminha comigo, segura meus passos, protege minha base. Pisou comigo gramados da serra, areias das praias, águas de chuva e minha sombra ao sol.

 

Por isso talvez esta terrível dúvida sobre se terei ou não coragem de jogá-lo no lixo, ou vou guardá-lo de recordação pelos bons tempos que tivemos juntos.  Sinceramente, jamais imaginei que seria tão difícil assim, trocar um velho chinelo, por um chinelo novo.

 

Mas já que tem que ser, que seja agora, ou pelo menos, hoje. Tudo tem sua hora não é companheiro? Você mesmo que me ensinou.

 

Adeus velho companheiro!

Está na hora de trilhar novos caminhos!

E saibam que qualquer semelhança, é a mais pura verdade.

 

Antonio Jorge Rettenmaier, Cronista, Escritor e Palestrante. Esta crônica está em mais de noventa jornais impressos e eletrônicos no Brasil e exterior. Contatos, Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

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