Chega de desculpas.

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Quando tentamos encontrar várias formas e fórmulas de evitar algo que está latente, verdadeiro e não conseguimos, é realmente difícil. Então se inventa uma desculpa. A segunda. Chega à centésima. E volta-se a primeira. E nada de dar certo. Tudo porque talvez seja quase que impossível encarar a verdade. A realidade. E se sucedem as tentativas de fuga. De negar. De tentar esconder. Não assumir. Não dizer. Ou se dissermos, vamos pela não verdade. O mais interessante e cômico de tudo. Assumimos sem concordar. E nesta confusão, nos atrapalhamos ainda mais. Dizemos não como sim, sim como sim, sim como não e não como não. E ainda esperamos que nos entendam. Compreendam nosso mais do que medo. Covardia. Na grande verdade, está a realidade. E na realidade que tentamos esconder, a grande verdade. Mas quem pode dizer que não é bem assim. Quem pode mais do que nós saber. Alimentamos nossa própria mentira. Mentimos para nós mesmos. E esperamos que os outros nela acreditem. E se duvidarem, que se danem. Estamos colocando tudo com todas as letras. Até inúmeros pontos finais. E se tivermos que inventar algo diferente. Começamos tudo com uma tímida letra minúscula. Porque a maiúscula pode escancarar a verdade. Gritar por ela. Ou soltá-la aos quatro ventos. O fato é que a palavra não começa com n. Mais fácil de fugir do que a sim. Que começa com s. S que tem um gancho. No qual podemos ser tentados a nos segurar. E ser levados por ele. No n, só duas pernas. No s, ainda uma curvatura tentadora para repousarmos do cansaço. Que deu fugir. Negar. O mais estranho de tudo é que nós dizemos sim. Mas falamos não. Como naquela história. É melhor negar. Sempre. Até a morte. E nova dúvida. Morte. Do sim. Ou do não. Sobrevida aos dois. Pode ser uma saída. De nova fuga. Se não for assim. Então chega de desculpas.

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