Chega de desculpas

Quando tentamos encontrar várias formas e fórmulas de evitar algo que está latente, verdadeiro e não conseguimos, é realmente difícil. Então se inventa uma desculpa. A segunda. Chega à centésima. E volta-se a primeira. E nada de dar certo. Tudo porque talvez seja quase que impossível encarar a verdade. A realidade. E se sucedem as tentativas de fuga. De negar. De tentar esconder. Não assumir. Não dizer. Ou se dissermos, vamos pela não verdade. O mais interessante e cômico de tudo. Assumimos sem concordar. E nesta confusão, nos atrapalhamos ainda mais. Dizemos não como sim, sim como sim, sim como não e não como não.

E ainda esperamos que nos entendam. Compreendam nosso mais do que medo. Covardia. Na grande verdade, está a realidade. E na realidade que tentamos esconder, a grande verdade. Mas quem pode dizer que não é bem assim. Quem pode mais do que nós saber. Alimentamos nossa própria mentira. Mentimos para nós mesmos. E esperamos que os outros nela acreditem. E se duvidarem, que se danem. Estamos colocando tudo com todas as letras. Até inúmeros pontos finais. E se tivermos que inventar algo diferente. Começamos tudo com uma tímida letra minúscula. Porque a maiúscula pode escancarar a verdade. Gritar por ela. Ou soltá-la aos quatro ventos. O fato é que a palavra não começa com n. Mais fácil de fugir do que a sim. Que começa com s. S que tem um gancho. No qual podemos ser tentados a nos segurar. E ser levados por ele. No n, só duas pernas. No s, ainda uma curvatura tentadora para repousarmos do cansaço. Que deu fugir. Negar. O mais estranho de tudo é que nós dizemos sim. Mas falamos não. Como naquela história. É melhor negar. Sempre. Até a morte. E nova dúvida. Morte. Do sim. Ou do não. Sobrevida aos dois. Pode ser uma saída. De nova fuga. Se não for assim. Então chega de desculpas.

Escrito por Antonio Jorge Rettenmaier